“Fazer uma escolha profissional não é só escolher uma carreira, é um projeto de vida”

Fazer uma escolha profissional não é só escolher uma carreira, é um projeto de vida

O primeiro passo para a escolha profissional é aliar o autoconhecimento com o conhecimento das profissões. Se conhecer é saber sua capacidade de decisão e sua possibilidade de fazer escolhas. Atitudes que exigem muita reflexão e discernimento.

Quando recebo um adolescente para orientação profissional, trabalho com uma pergunta inicial que é: o que você sabe ao seu respeito que te aproxima de alguma profissão? Na maioria das vezes a resposta não é substancial, e nem poderia ser diferente, pelo próprio movimento da adolescência que está todo voltado para fora, em busca de algo, na ânsia do existir e provar sua existência.

Portanto, não concebo a ideia de resumir a tarefa da orientação vocacional em testes. Os testes são instrumentos utilizados para embasar pressupostos filosóficos, antropológicos e ideológicos que são fundamentais para o reconhecimento do homem enquanto ser social capaz de fazer suas próprias escolhas.
O caminho traçado por esse processo consiste em olhar para quem foi, dentro do histórico pessoal, para quem é e, principalmente, para o que pode chega a ser. Esse tripé nos remete a fazer o movimento externo/ interno sem rupturas, um depende do outro, nos tornando conscientes do que somos e do que procuramos ser. Mantendo uma ligação contínua entre o passado, presente e futuro.

Fazer uma escolha profissional não é só escolher uma carreira, é um projeto de vida

O futuro para o adolescente remete à vida do adulto, às experiências do outro. Traz angústia, e apesar de ser totalmente desconhecido, tem uma importância ativa enquanto projeto de vida e ajuda a estruturar a personalidade no momento em que se está vivendo.
A escolha sempre se relaciona com os outros, mas é a primeira escolha que temos que fazer sozinhos. Ao olhar para a profissão, o adolescente entra num processo de definições, que consiste em descobrir o que vai fazer, quem vai ser, ao mesmo tempo em que enfrenta o conflito de escolher o que não quer ser. Na maioria das vezes esse processo é conflitivo, pois exige os primeiros enfrentamentos e dissociações dos pais e familiares.

Fazer uma escolha profissional não é só escolher uma carreira, é um projeto de vida

A identidade ocupacional é apenas uma composição de um sistema maior que faz parte da identidade do sujeito.
A adolescência é momento de transição, de experimentar grandes mudanças, de medos, angústias, são momentos decisivos em várias esferas como ideologia, religião, ética, sexualidade. São definições que fazem parte da estruturação psicológica e ajustes emocionais.
Escolher exige uma atualização do tempo em que se enxerga, o famoso quem sou eu, como estou me sentindo com a perda do corpo infantil, como está meu luto diante das perdas que favorecem meu desenvolvimento. Que espaço está ocupando nesta transição, quais os reconhecimentos que consigo fazer diante dos conflitos e, por fim, como estou me relacionando com os outros, como me vejo na sociedade?

Fazer uma escolha profissional não é só escolher uma carreira, é um projeto de vida

Fazer uma escolha profissional não é só escolher uma carreira, é um projeto de vida. É definir em que se vai trabalhar, para quê, como fazê-lo, e onde. É pensar num sentido para a própria vida, portanto, não é algo fácil de realizar, demanda tempo e conhecimento sobre si e sobre os outros.
Para escolher é preciso abrir mão, romper vínculos e construir outros. Uma escolha madura e ajustada depende da elaboração dos conflitos e não da negação deles, é escolher tendo em conta o que se pode ser, quais são seus limites e o que tem feito para alcançar seus objetivos. É abrir mão das fantasias e aceitar a realidade e, acima de tudo, simplesmente olhar para si mesmo e enxergar seus gostos, seus interesses e aspirações.

Fonte:

Sirléia Heloisa Natal é psicóloga clínica e Especialista em Orientação Vocacional e Coordenadora Pedagógica do Curso Planck- Pré-Vestibular

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